domingo, 25 de janeiro de 2015

Jó 42.2 Nenhum dos teus planos pode ser frustrado

Geisa: Nenhum dos teus planos pode ser frustrado



Introdução:

Uma das doutrinas bíblicas mais combatidas ultimamente é a “Soberania de Deus”. Em 2010, na comemoração do Acampamento El Rancho 40 anos, tivemos um preletor que afirmou categoricamente que “Deus não tem nada a ver com as calamidades e tragédias humanas”. Todos que estávamos presentes ficamos nos perguntando e interpelamos o pregador: “Se Deus não está por detrás dos eventos da história, quem está?”, “Se Deus não governa o cosmos, a vida humana, quem governa?” Se Deus não é Deus, isto é, se ele não exerce os atributos da divindade como onisciência, onipotência e onipresença, quem o faz?

Uma das grandes lutas de Jó é o fato de que Deus governa soberanamente. Jó teve grandes lutas com isto. Resignado, em alguns momentos, reclamou do fato de Deus fazer as coisas do jeito que fazia. O capítulo 23, de uma forma especial. “Ainda hoje a minha queixa é a de um revoltado, apesar de a minha mão reprimir o meu gemido. Ah! Se eu soubesse onde o poderia achar! Então, me chegaria ao seu tribunal”  (Jó 23.2,3). A crise de Jó se torna clara na sua afirmação: “Mas, se ele resolveu alguma coisa, que o pode dissuadir? O que ele deseja, isso fará” (Jó 23.13). Uma tradução mais antiga afirma: “Ele é Ele!”. 

Ao lermos isoladamente este texto, temos a impressão de que as coisas estão bem resolvidas na alma de Jó, mas quando analisamos a situação de forma mais profunda, percebemos, na verdade, que ele está indignado com o jeito de Deus ser Deus. Sua onipotência, sua soberania, são perturbadores para Jó. “Por isso, me perturbo perante ele; e quando o considero, temo-o” (Jó 23.15). Por que ele se perturba? Pela compreensão da autoridade de Deus, e por perceber sua impotência diante do Eterno.

No final do livro, quando o assunto e a discussão em torno de todas estas questões misteriosas da morte, do mal e do sofrimento estão fechando o ciclo, Jó afirma: “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado” (Jó 42.2). Felizmente neste contexto, esta declaração não está associada a amargura, mas a louvor e adoração.

Quais são os princípios que precisamos extrair desta afirmação?

Primeiro princípio
Deus elaborou seu projeto antes dos tempos eternos

A história não segue sem planos. O universo possui coerência: começo, meio e fim.

Ao dialogar com as diferentes correntes filosóficas, tenho a impressão de que se não fosse cristão seria existencialista, embora reconheça que o existencialismo é a linha filosófica mais desesperadora que existe. Faria isto, porque fora de Deus, não há a mínima chance de existir esperança. Sem Deus o que paira é o caos, o desespero, as contradições e angústias não resolvidas da humanidade.

Se não existe um Deus soberano detrás das coisas – O que nos resta? Um autor existencialista chegou a afirmar: “Sem Deus, tudo é permitido!”

Jean Paul Sartre, um dos ícones do existencialismo chegou a afirmar: “O mundo é um absurdo, Deus dá ordem ao absurdo, mas Deus não existe!”. Sem Deus, portanto, só resta o caos, a desordem, a falta de sentido e propósito. Nada faz sentido. Usando uma linguagem do mundo da economia diria: “A conta não fecha!”

A Bíblia faz questão de considerar a história, não numa perspectiva cíclica como queria Platão, mas numa perspectiva ascensional.

Na visão platônica, a história está dando voltas, num indo e vindo infinito de repetições, sem finalidade alguma, porque não existe propósito nem direção alguma.

Na visão bíblica, a história tem propósito. Podemos ver encadeamento, ordem e sentido: Criação, Queda, Redenção e Consumação. Deus está escrevendo a história de acordo com seu plano, e ele executa os seus intentos no decorrer dos anos. A visão da história para o cristianismo é ascensional, ela possui teleologia (objetividade e direção). A vida possui intencionalidade, não caminha para um caos, mas para um propósito Eterno. Deus é soberano e não há absolutamente ninguém ou algo que possa impedir o seu divino propósito de ser executado. Tudo está sob controle. “Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11.29).

Os céus não se surpreendem.
Deus não fica chocado com os escândalos e a maldade humana.
Ele sabe de tudo: começo, meio e fim.

A Bíblia afirma que, nos propósitos eternos, o seu Filho um dia viria para salvar o mundo perdido. É o que os teólogos chamam de Pacto da Redenção, realizado pela Trindade. Por isto a estranha afirmação de Apocalipse exaltando “O Cordeiro de Deus que foi morto, antes da fundação do mundo” (Ap 13.8). Jesus morreu em Jerusalém há dois mil anos atrás, então, porque o livro de Apocalipse afirma que ele foi morto antes da fundação do mundo? Isto se dá porque a temporalidade não consegue penetrar a dimensão do mistério.

A morte de Cristo faz parte do projeto eterno de Deus de resgatar a humanidade da rebeldia, desorientação e falta de sentido. Ele morreu para pagar o preço de nossa dívida, e nos propósitos eternos isto foi feito antes da fundação do mundo. Antes de se tornar parte do Kronos (com geografia, espaço e tempo), fazia parte do projeto da eternidade no pacto da redenção feito entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo para resgatar a humanidade que falharia.

Segundo princípio
Deus tem todo Poder

Bem sei que tudo podes!”
Se você abriga algum pensamento de que exista alguma área na qual Deus não tem acesso, nem pode governar, você precisa rever toda teologia bíblica da soberania de Deus. Não existe qualquer área visível ou invisível na qual Deus não tenha controle. Em todas as coisas, seja elas grandes ou pequenas, Deus tem acesso. Até mesmo o inferno não está fora do controle de Deus. “...e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno” (Ap 1.18). Jesus tem a chave do inferno. Ele entra e sai se e quando quiser, para realizar seus eternos propósitos. O Credo Apostólico afirma que Jesus desceu ao hades. O apóstolo Pedro diz que Jesus “foi e pregou aos espíritos em prisão” (1 Pe 3.19). Em todo lugar ele está presente, em todos os momentos. Isto é onisciência! Embora Deus pareça silencioso demais em alguns momentos da história e da vida, nunca duvide: Deus está presente. E tem todo poder!
Ele não apenas está presente e sabe todas as coisas, mas acima de tudo, exerce seu domínio sobre todas as coisas. Nenhum pardal morre, nem um fio de sua cabeça cai, sem que Deus ordene, e tem todo poder. Deus pode fazer todas as coisas, embora ele nem sempre faça todas as coisas. Ele pode curar todas as pessoas, embora nem sempre cure todos. Ele faz tudo de acordo com seus planos e tem todo poder para agir, da forma que quer e como quer, para cumprir seus propósitos eternos. Ele é Deus! Onipotência é um dos seus atributos, e não é negociável nem comunicável.

Quando Deus afirma alguma coisa, ele faz, porque ele pode fazer, ainda que pareça impossível: Ele pode fazer brotar água da pedra, pode fazer uma mulher de 90 anos dar a luz, pode fazer uma adolescente que não conheceu homem algum engravidar, pode enviar carne para 2 milhões de pessoas no deserto comerem por um mês inteiro. Por três vezes, em situações anacrônicas, Deus pergunta: “Existe alguma coisa demasiadamente difícil para mim?

Quando disse que daria carne para dois milhões de pessoas comerem no deserto por um mês inteiro, Moisés começou a fazer as contas e a questionar se Deus não estava exagerando. O que Ele respondeu: “Ter-se-ia, por acaso, encurtado a mão do Senhor?”

Em Apocalipse 4, a primeira visão de João é a de um Ancião de dias assentado no trono. Não, o trono não está em disputa. Não existem forças lutando para assumir o trono. Ele não está vago. Não está sendo pleiteado por ninguém. Já está ocupado, e aquele que se assenta no trono celestial, de onde procedem todas as decisões, e a história das nações. Nabucodonozor se tornou como uma besta do campo por não entender que “O céu domina” (Dn 2.20)

Os homens tentam fazer de conta que não existe este Deus soberano. Tentam sabotar a Deus, lutar contra ele. “Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra conspiram contra o Senhor e o seu ungido (messias), dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas” (Sl 2.1.3). Sabe o que ele faz quando os homens conspiram contra ele? O Salmo 2 afirma que “Deus ri!”. Isto mesmo: Deus solta gargalhada, isto lhe parece cômico, hilário e irônico. “Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles. Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá” (Sl 2.4-5). Afinal, “Agindo eu, quem impedirá?” (Is 43.13), diz o Senhor. Isaias 44.7 afirma que Deus sabe o fim, desde o começo. “Quem há, como eu, feito predições desde que estabeleci o mais antigo povo?”.

Terceiro Princípio
Os céus não se surpreendem

Nós nos assustamos quando os fatos acontecem.
Somos pegos completamente desprevenidos. Às vezes até com as coisas mais óbvias.

Ficamos chocados quando sabemos da morte iminente de uma pessoa querida, mesmo quando sabemos que sua vida está por um fio e vem lutando com uma enfermidade por muitos anos. Para Deus, nada do que acontece se constitui surpresa, ele não é pego no contrapé das novidades e nem se assusta diante dos fatos, por mais trágicos que sejam. Ele não apenas age na história, mas é ele quem a escreve. Ele não apenas intervém na história – Ele faz a história.

O livro de Daniel é profético, fala da ascensão e queda dos reis.

A descrição que ele faz dos reinos que viriam é tão precisa que alguns comentaristas liberais levantaram uma tese para “explicar isto”. Para eles, os eventos anunciados pelo profeta Daniel foram descritos depois de acontecidos, isto é, o livro de Daniel foi escrito por alguém inescrupuloso que tenta enganar seus leitores. Os fatos foram registrados depois de acontecidos.

Se isto tivesse acontecido, teríamos uma fraude na Bíblia.
A verdade, contudo, é que desconhecem o Deus da Bíblia.

O livro de Jeremias afirma que, por causa da desobediência e rebeldia, o povo de Israel seria levado cativo por uma potência do norte, mas retornaria depois de 70 anos à sua terra. Como predito aconteceu.

Jerusalém foi sitiada, conquistada pela Babilônia em 587 a.C.. Milhares morreram na guerra, e alguns foram levados cativos, para se tornarem escravos e guerreiros. Ali, Daniel e seus amigos se tornaram personagens centrais. Depois de Nabucodonozor, assume o reinado seu filho, Belsazar, e então, o império assírio é tomado pelos medos e persas. Surgem outros personagens que conhecemos como Dario e Ciro.

Depois de 70 anos, Ciro que nada sabe das profecias divinas, acorda de manhã e resolve alforriar o povo de Israel, dando liberdade aos judeus, encorajando-os a voltar para Jerusalém para reerguer novamente os muros e o templo (ver livro de Esdras e Neemias). Esta notícia pega os judeus completamente de surpresa. Neste contexto foi escrito o Salmo 126. “Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha...” Eles simplesmente não entendiam e não acreditavam no que estava acontecendo.

Deus não havia profetizado?
O Profeta Jeremias não havia anunciado tais predições?
Por que a surpresa?

Um detalhe importante não pode deixar de ser observado. O profeta Isaías afirma que Deus levantou Ciro, um rei pagão e líder de uma potência militar, como seu servo, para assinar o decreto liberando os judeus e ainda disponibilizar recursos do tesouro dos medos e persas. O mais surpreendente ainda: Deus afirma pelo profeta que Ciro era seu “ungido”,  embora não o conhecesse pessoalmente. Ciro, sem o saber, estava cumprindo o propósito que Deus tinha para seu povo, e a profecia afirma que isto aconteceria “não por preço, nem por presente, ele edificará a casa e libertará os meus exilados”(Is 45.13). É interessante notar a frase “Ciro é o meu pastor, ainda que não me conheça” (Is 45.4, 15). Portanto, não precisamos conhecer a Deus para sermos seus instrumentos e fazer o que ele quer fazer.

A vontade de Deus será feita, quando queremos, quando ignoramos ou quando não queremos. Ciro não conhecia a Deus, mas Deus o chama de seu ungido (Is 45.1), palavra forte no hebraico  pois ele usa o termo “Messias”. Da mesma forma Faraó fez a vontade de Deus, ainda que não quisesse. Até o seu endurecimento fazia parte do projeto de Deus para mostrar sua glória ao povo que agora era desafiado a tomar posse da terra que anteriormente havia sido prometida ao patriarca Abraão. 

Conclusão

Como é possível se interpor contra Deus? É possível barrar seus projetos e planos? Por que os seus planos não podem ser frustrados ou “impedidos”?
A.    Ninguém pode se interpor a Deus – quem pode resistir à sua mão, e aos seus propósitos?  Jó compreende isto. “Eu sei que tudo podes”. Não existe qualquer coisa que possa barrar a obra de Deus ou sua ação no mundo. “Eu sou Deus, e não há Deus além de mim...”
Nada consegue derrotar aquele a quem Deus escolheu para vencer. Nada pode impedir seu plano para a história. David Nicholas afirmou: “As promessas de Deus são como as estrelas. Quanto mais escura a noite, mais brilham”.

As nações são consideradas por ele como um pingo que cai de um balde e como um pó de balança; as ilhas são como pó fino que se levanta”(Is 40.15). “Todas as nações são, perante ele como coisa que não é nada; eles as considera menos do que nada, como um vácuo. Com que me comparareis a Deus? Ou que coisa semelhante confrontareis com ele?” (Is 40.17-18).

No livro de Daniel lemos:
Não há quem possa deter a sua mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Dn 4.35)

  1. Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis -  Quando tratamos deste assunto,  “Precisamos distinguir entre o que Deus gostaria de ver acontecer e o que ele realmente deseja que aconteça” (Howard Marshal).

Os teólogos chamam a atenção para a vontade permissiva e decretiva de Deus.

Na vontade permissiva, Deus muitas vezes permite que algo aconteça, mas não tem prazer em que isto aconteça. Deus não tem prazer no sofrimento de Jó, mas permitiu que ele andasse por este tenebroso caminho por causa de seus propósitos. Deus permite muitas outras situações acontecem na vida. Ele tem o poder de impedi-las, mas não o faz, porque causa de seus desígnios e propósitos santos e eternos.

Na vontade decretiva de Deus contemplamos outro aspecto. Deus traça determinados planos e deseja cumpri-los.

Os seus decretos são irrevogáveis, o que ele prometeu ele há de cumprir. Nada vai impedir que a história de Deus se cumpra. O livro de Apocalipse afirma que Cristo vai voltar em glória, para governar, e não há poder na terra ou no céu que possa impedir este decreto de Deus.

John Piper tenta elucidar este ponto com três ilustrações:

i.               A traição de Judas foi um ato moralmente mal e inspirada por Satanás (Lc 22.3); Entretanto, Lucas diz que “esse Jesus foi entregue pelo determinado desígnio (boule) e presciência de Deus” (At 2.23).
ii.              O desprezo de Herodes por Jesus (Lc 23.11) e a conveniência covarde de Pilatos (Lc 23.24) também foram atitudes pecaminosas. No entanto, em At 4.27-28 Lucas expressa seu entendimento da soberania de Deus nestes atos, ao registrar na oração que tais atitudes faziam parte do “santo conselho” (boule) de Deus.
iii.            No livro de Apocalipse, a besta e os dez chifres (At 17.8,12) que empreenderam guerra contra o Cordeiro, cometeram atos malignos. No entanto, Deus influenciou o coração dos dez reis para que fizessem algo contra a sua vontade. Deus quis (em um sentido), que fizessem algo contra sua vontade (em outro sentido).

C.    Deus é fiel, e zela por sua palavra para a cumprir – “Se ele prometeu, ele ha de cumprir, e se ele falou, é certo que fará”.
Deus é absolutamente livre para fazer o que deseja fazer ou não fazer. Ele tem o poder de restringir o mal, ou liberdade de não restringir, se assim o desejar, para cumprir seus santos e misteriosos propósitos. Deus tem o poder de restringir o mal dos governos seculares. Quando ele faz, é sua vontade fazê-lo, quando não faz, é sua vontade, não fazê-lo.

O Salmo 33.1 afirma que “O Senhor frustra os desígnios das nações e anula os intentos dos povos”. Quando o Rei Nabucodonozor teve um surto psiquiátrico e passou a viver como animal, apesar da glória de seu império, Daniel afirma que Deus lhe fez isto para que ele aprendesse que “o céu domina”.

 Num poema de Clarice Lispector[1], chamado de "oração por um padre", a autora afirma que fez “uma reza” (sic) por um sacerdote com medo de morrer e ouve dele a seguinte afirmação: "Faze com que ele não indague demais, porque a resposta será tão misteriosa quanto a pergunta". 

No livro, A Cabana, de William P Young, há um interessante diálogo entre Deus e Mack, o personagem central do romance, passa por grande aflição e tentação que envolve suspeita de Deus no nível mais profundo. Deus, então, voluntariamente se coloca no banco dos réus e convida o personagem a argüir com ele, e a discussão é assim:

“A verdadeira falha implícita de sua vida, Mackenzie, é que você não acha que sou bom. Se soubesse que sou bom e que tudo – os meios, os fins e todos os processos das vidas individuais – estão cobertos por minha bondade, mesmo que nem sempre entenda o que estou fazendo, confiaria em mim, mas não confia (...) A confiança é fruto de um relacionamento em que você sabe que é amado. Como não sabe que eu o amo, não pode confiar em mim (...) você vê a morte e a dor como males definitivos, e Deus como o traidor definitivo, ou talvez, na melhor das hipóteses, como fundamentalmente indigno de confiança. Você dita os termos, julga meus atos e me declara culpado”[2].

R.C. Sproul afirma:
“Jó não sabia porque Deus o chamou para sofrer, mas sabia que Deus o havia chamado para sofrer... em última instância, a única resposta de Deus a Jó era a revelação de si mesmo. Era como se ele dissesse: Jó, eu sou a resposta. Deus queria que Jó confiasse não num plano, mas numa pessoa, um Deus pessoal que é soberano, sábio e bom” [3]

O livro de Jó, fecha seus desafiadores diálogos, com a compreensão maravilhosa que Jó tem da soberania de Deus. Ele agora se cala diante da sua maravilhosa glória e soberana vontade. Jó, perplexo e admirado, declara de forma veemente, a sua nova e maravilhosa compreensão de Deus afirmando: “Eu sei que tudo podes, e nenhum de teus planos, pode ser frustrado” (Jó 42.2).

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[1] Lispector, Clarice - A descoberta do mundo, Rio, Ed. Rocco, 1999, pg 32,
[2] Young, William P., A cabana – Rio, Ed Sextante, 2008, pg 115
[3] Sproul, R. C. Surprised by suffering, Walker and Co., 1988, pg 47,51 



sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Jó 41.1-11 Não brinque nem negocie com Satanás



Quadro ao lado pintado por Doré (1865)





Introdução:

O Livro de Jó possui um conteúdo crítico, por isto é objeto de estudo de psicólogos e teólogos. Ele toca nas questões mais profundas da existência e nos obriga a refletir sobre mistérios da vida, das forças cósmicas e de Deus.

Recentemente fui assistir o filme “Êxodus: deuses e reis”, uma adaptação da história bíblica. O filme narra a vida de Moisés (Christian Bale), nascido dos hebreus e criado na família real. Seus efeitos especiais são muito bem elaborados e possuem uma maravilhosa fotografia, embora o roteirista tenha preferido descrever Moisés pelo ângulo de suas angústias e crises com identidade, chamado e o próprio Deus. Caso decida assistir o filme é importante ter em mente o comentário de um dos artistas: “Nós não queremos reescrever a Bíblia, mas fazer um filme sobre o homem Moisés”. Dito isto, fica mais fácil assisti-lo sem ficar preocupado se seu conteúdo é fiel das Escrituras, porque de fato ele não é fiel ao que a Bíblia ensina. Trata-se de uma ficção, e é assim que deve ser visto. O filme retrata Moisés recebendo ordens de Deus e eventualmente questionando-o e discordando de seus métodos.

Assim como acontece na vida, o Livro de Jó também mostra um servo de Deus, lidando com a incompreensibilidade e mistério de Yahweh. Na tentativa de entender os processos da divindade, Jó chega a fazer 16 perguntas sobre os motivos de Deus, iniciando com os “porquês”, e Deus não responde a nenhuma delas diretamente.

“Por que” é uma questão filosófica, que tenta entender os motivos e razões de Deus em agir da forma que age; é uma questão que procura dissecar a intencionalidade do Sagrado. Deus deixa claro que não explica nem justifica suas razões. Entretanto, Deus retorna suas perguntas levantando outras 70 perguntas relacionadas à sua majestade e poder.

Só entre os capítulos 38-41, por 15 vezes, Deus indaga Jó sobre “Quem”, isto é, qual é o agente por detrás dos movimentos da história, da criação e da manutenção do cosmos? Como os movimentos da natureza surgiram e são mantidos? Quem inicia todo este processo harmônico e estético do universo? Seu alvo é levar Jó a entender que o “porque” não é a questão mais importante, mas “Quem”, isto é, o ponto de partida da história e da existência em si mesma. Deus não explica nada a Jó, nem satisfaz sua curiosidade, mas revela seu caráter, poder e atributos.

Jó expõe suas queixas 34 vezes, mas o silêncio foi a resposta obtida. Quando Deus falou, não respondeu a nenhuma de suas perguntas diretamente, mas fê-lo entender sua natureza e quem ele era.

No capítulo 38-41, Deus faz perguntas a Jó sobre criação, animais e os mistérios da natureza. Logo no início do capítulo 41 ele fala do “crocodilo” (RA), certamente uma tradução pobre e inadequada para a palavra Leviatã (RC), e é sobre este Leviatã que queremos falar.

Quem é este Leviatã?

Na literatura apócrifa, ele é considerado um dos quatro príncipes do inferno, já que a tradução do termo “Liwjathan” do hebraico, é literalmente “serpente sinuosa”, seu arquétipo se refere à brutalidade e ferocidade, uma criatura abissal de proporções gigantescas.

Esta é uma figura mitológica de grandes proporções, e na tradição católica foi tratada como o demônio representante do quinto pecado, a inveja, e que é também um dos sete príncipes infernais, representado em forma de crocodilo, na mitologia fenícia.

Na sua descrição temos a informação de que este ser é o maior (ou mais poderoso) dos mundos aquáticos. Alguns tentam fazer aqui uma associação com os extintos dinossauros, grandes animais marítimos como a baleia, ou até mesmo elementos mitológicos como o dragão. Ao lado do Beemoth, traduzido como hipopótamo (Jó 40.15ss), o Leviatã tem sido interpretado hiperbolicamente. Gustavo Doré (1865) pintou um quadro sobre a destruição do Leviatã, no qual um anjo de Deus luta contra ele.

O dicionário judaico de lendas e tradições escrito por Alan Uterman afirma que os olhos do Leviatã iluminam o mar à noite e podem ser vistos a milhas de distância. Segundo a escatologia judaica, no final dos tempos, com a chegada do Messias, Gabriel entrará em luta cósmica para derrotá-lo. Talvez seja inspirado nesta tradição hebraica que Doré pintou o seu quadro.


Existem algumas descrições difíceis de entender sobre este monstro:

Jó 41.18 – “Cada um dos seus espirros faz resplandecer luz, e os seus olhos são como as pestanas da alva”.

Jó 41.19 – “Da sua boca saem tochas, faíscas de fogo saltam dela”.

Jó 41.20 – “Das suas narinas procede fumaça, como de uma panela fervente ou de juncos que ardem”.

Jó 41.21 - “O seu hálito faz incendiar os carvões, e da sua boca sai chama”.


Todas estas descrições não se aplicam a figura do animal conhecido como “crocodilo”, parece mais uma descrição de um dragão, um ser mitológico.

De que este texto está falando?

Para onde esta figura do Leviatã aponta?

Russel Shedd, no seu comentário na Bíblia Vida Nova afirma que se trata de “expressões simbólicas referindo-se a tipos de instrumentos em que Deus se utilizou para julgamentos físicos do passado como o Egito e a Assíria”. Por se tratar de uma descrição metafórica e simbólica, toda interpretação corre o risco de se tornar mítica ou alegórica, mas gostaria de propor que este ser fosse interpretado como Satanás, o grande Leviatã, pelas descrições que encontramos dele:

A. Não pode ser controlado por homem algum – “Podes tu, com anzol apanhar o crocodilo (Leviatã) ou lhe travar a língua com uma corda? (Jó 41.1). Não dá para dominá-lo, porque ele não tem atitude de servo, não dá para restringi-lo, dominá-lo.

Não seria uma referência clara sobre Satanás, um ser impetuoso, a quem nenhum homem pode dominar pela força? A Bíblia fala de que alguns judeus exorcistas, tentaram dominar e exorcizar um possesso de espírito maligno, sem a autoridade do nome de Jesus e foram subjugados tendo que sair daquele lugar desnudos e feridos (At 19.13-16).

B. Não dá para brincar com ele – “Brincarás com ele, como se fora um passarinho? Ou tê-lo-ás preso à correia para as tuas meninas?“ (Jó 41.5). Satanás não é um brinquedinho, um “amiguinho”. Eventualmente determinados filmes com conteúdos esotéricos ou até mesmo desenhos animados, tentam relativizar a potência do mal e dar-lhe um caráter brando, mas a verdade é que não podemos brincar com ocultismo, esoterismo e feitiçaria. O Pr. Glênio Paranaguá, afirma que precisamos aprender que feitiçaria não é obra do diabo, já que a Bíblia diz que é obra da carne (Gl 5.19-20). Trata-se de uma obra da carne, da tentativa do homem de controlar as forças espirituais. Na verdade, quando uma pessoa se envolve com este tipo de atividade, se expõe de forma direta à obra do diabo. Está brincando com o maligno.

Não brinque com o diabo.

Muitas pessoas adentram o universo da feitiçaria, ocultismo e magia, por brincadeira ou curiosidade, tentando aprisionar o Leviatã e dá-lo como brinquedo a seus filhos. Satanás não algo para se tratar com condescendência e malemolência. Não se brinca com o diabo!

C. Não se negocia com o diabo – “Acaso, os teus sócios negociam com ele? Ou o repartirão entre os mercadores?” (Jó 41.6). Não dá para fazer pactos com as trevas, negociar com o maligno, fazer acordo com o maligno, e se assentar à mesa para conversar e construir um projeto.

O diabo é mentiroso e Pai da mentira e tem sido assim desde a criação (Jo 8.44). Eva tentou seguir sua orientação e foi uma tragédia! Muitos pactos e alianças sinistras tem sido feitos com as trevas, muitos o fazem na sua ignorância, outros por descuido. Ele vai te destruir, porque é próprio da natureza das trevas agir com atitudes escusas.

D. Caminhar com o Leviatã traz desespero e angústia – “Eis que a gente se engana em sua esperança, acaso não será o homem derribado só em vê-lo?” (Jó 41.9). Só sua presença por perto, só de olharmos para ele, a esperança se esvai e o corpo enfraquece. “No seu pescoço reside a força, e diante dele salta o desespero” (Jó 41.22). Desespero é um sentimento comum naqueles que resolvem fazer do maligno sua companhia. Não se conhece paz e sossego ao seu lado.

Saul se envolveu com médiuns e adivinhos e consultou os demônios na esperança de falar com os mortos. Nesta trama foi envolvido e engalfinhado pelo engano, e seu desespero aumentou ainda mais, e poucos dias depois deste incidente ele se suicidou. Não dá para caminhar com demônios e ter paz, alegria e esperança. Diante dele salta o desespero.

E. Satanás é um ser sem misericórdia – “Acaso te fará muitas súplicas? Ou te falará palavras brandas?” (Jó 41.3). Dante Alighieri ao descrever o inferno, afirma que na sua entrada há uma placa com os seguintes dizeres: “Aqui cessa toda esperança!”.

Satanás não se comove com a dor e não ameniza seu chicote. Ele vem para “matar, roubar e destruir”, seu propósito é roubar toda paz, alegria e espontaneidade. É destruir todo vigor e alegria, é levar o ser humano à desgraça e sofrimento. Ele não usa palavras brandas e nem trata com benignidade. Ele é maligno por definição e na sua essência.

F. Não dá para derrotá-lo com instrumentos comuns – “Na terra não tem ele igual, pois foi feito para nunca ter medo” (Jó 41.33).“Ninguém há tão ousado que se atreva a despertá-lo” (Jó 41.10).

Que armas, senão as espirituais, podem ser usadas contra Satanás? Que instrumentos podem ser usados para confrontá-lo, senão a obra maravilhosa do Espírito Santo e o precioso sangue do filho de Deus. Precisamos de autoridade espiritual para lutar contra Satanás, porque as nossas forças não são eficientes contra ele. Determinadas castas só saem com jejum e oração.

Por causa de todas estas descrições acima, podemos entender que se trata de uma referência simbólica ao diabo.

Conclusão:

Para concluir esta reflexão, queremos dar duas aplicações:

1. Apesar de todo poder, Satanás está sob o domínio de Deus – Os vs 11,12 tornam-se meio confusos, porque surgem no meio da descrição que está sendo feita do Leviatã. É importante considerar, porém, que é Deus quem está falando a Jó, desde 38.1ss.

Portanto, prestemos atenção ao contexto e o desenvolvimento natural e gramatical do texto. Em 41.10, Deus afirma:

“Ninguém há tão ousado que se atreva a despertá-lo”.

Em outras palavras, não provoque o diabo. Não lhe dê energia. O mal se nutre da força que lhe damos e das brechas que abrimos para sua operação. Por isto, os muros precisam ser fechados bem como todas as brechas. Não provoque Satanás, nem as trevas. Não pactue, não se envolva, não o desperte!

Mas em seguida, o texto afirma:

“Quem é, pois, aquele que pode erguer-se diante de mim?

Quem primeiro me deu a mim para que eu haja de retribuir-lhe,

pois o que está debaixo de todos os céus é meu!”

(Jó 41.10b-11).

Há um contraste intencional do texto entre a incapacidade humana de lutar e vencer o Leviatã, e ao mesmo tempo, do controle absoluto de Deus sobre todas as coisas. Esta ideia está presente desde o início do livro.

Quando Satanás se propôs a tocar em Jó, não o pode fazê-lo, sem autorização explícita e delimitada de Deus. Para tocar em Jó, seus bens e familiares, Deus autoriza e dá uma permissão com limites bem definidos, inicialmente para tocar apenas numa área, depois também na sua saúde, Deus precisa autorizar. O Leviatã não tem liberdade plena de ação. Sua obra é limitada pelo próprio Deus. Felizmente...

Quando Paulo narra a majestade de Deus, nos sublimes e densos capítulos de Romanos 9-11, ao encerrar a visão da soberania de Deus ele afirma: “Oh profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem primeiro foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele, são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! (Rm 11.33-36).

Observaram o que há no meio desta doxologia?

Ele transcreve a frase de Jó 41.11.

“Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe?” (Jó 41.11).

Entre todos os ensinamentos do livro de Jó, um dos mais claros é que Deus tem todas as coisas estão sob seu domínio.

“Pois, o que está debaixo de todos os céus é meu” (Jó 41.11b).

Não há força política, humana ou espiritual que lhe possa resistir. O Leviatã é poderoso, forte, avassalador, diante dele salta o desespero (Jó 41.22), ele não foi feito para ter medo (Jó 41.33); mas apesar de sua arrogância, ele teme e treme diante de Deus (Tg 2.19).

2. O impacto da soberania de Deus traz uma nova compreensão e louvor a Deus, apesar do caos– Logo após a descrição que Deus faz acerca do seu governo sobre todas as coisas, Jó responde com adoração: “ Então, respondeu Jó ao Senhor; bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos, pode ser frustrado” (Jó 42.1,2).

Sua situação ainda não mudara. A dor, a doença, as perdas – tudo estava do mesmo jeito. Mas agora Jó via todas estas coisas com uma nova lente, sua interpretação dos fatos mudaram. A circunstância não havia mudado, mas seu coração sim. Quando Jesus se aproxima dos discípulos que estavam amedrontados com a violência do mar da Galiléia, Jesus primeiramente fala aos corações dos homens, antes de mandar o mar se acalmar. Muitas vezes Deus não quer mudar os fatos, mas quer mudar a mente, a forma de ver e analisar a vida, ele quer nos dar novas lentes. Foi exatamente isto que aconteceu a Jó. Antes de qualquer mudança, seu coração já era outro, e os fatos tinham outro sentido.

Vivemos dias em que a soberania de Deus parece assustar até mesmo os crentes e por isto tem sido relativizada por muitos. Gostamos de pensar num Deus dialético, ambíguo, inconstante. Talvez seja por isto que o filme “Moisés: deuses e homens”, citado no início, mostra Deus na figura de um garoto impulsivo e temperamental. O teísmo aberto ou a chamada “teologia relacional” coloca Deus não como “Senhor da história”, mas como alguém que participa da história, como coadjuvante e não o protagonista. Deus não tem papel principal, mas o homem. Na medida em que surgem os problemas, dizem eles, Deus vai agindo. Deus intervém na história, mas não faz a história. Mas não é isto que a Bíblia nos ensina.

Ao lermos a Palavra de Deus. Vemos sua soberania em ação desde o princípio, e o livro de Apocalipse isto. Tudo está sob controle. A história está sendo levada para um desfecho no qual o Filho do Homem virá nas nuvens, montado num cavalo branco para declarar que ele é “Rei dos reis e Senhor dos Senhores!” . É isto que a Bíblia ensina: “Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11.29). Os decretos de Deus não mudam por causa da intervenção humana, tudo já está selado e sendo conduzido pelo seu eterno e amoroso propósito. Deus está no controle da história levando-a para o fim que ele mesmo planejou, e nenhum dos seus planos pode ser frustrado. Ele não deve nada a ninguém, e nem procura se explicar a ninguém.

Esta ideia assustou Jó no meio do seu drama. “Mas, se ele resolveu alguma coisa, quem o pode dissuadir? O que ele deseja, isso fará” Pois ele cumprirá o que está ordenado a meu respeito, e muitas coisas como estas ainda tem consigo. Por isso, me perturbo perante ele; e, quando o considero, temo-o” (Jó 23.13-15). Jó ficou assustado ao reconhecer a absoluta soberania, seu controle sobre todas as coisas, mas, agora, no desfecho da narrativa, a visão de um Deus que tem as coisas sob controle, torna-se a fonte de sua segurança e louvor.

Quando ele fala deste absoluto domínio de Deus no capitulo 23, ele afirma que isto o “perturbava” (Jó 23.15), mas agora, que isto era motivo de adoração (Jó 42.1,2). O que mudou?

A verdade é que nada é mais libertador que a compreensão de que o Deus soberano e amoroso controla o universo, não estamos à mercê das coincidências, acaso, sorte ou circunstâncias, e nem ainda na mão dos homens (poderes políticos ou históricos), ou espirituais como o Beemoth e o Leviatã. Posso não entender os complexos mecanismos, e os paradoxos processos da existência humana, nem conseguir respostas ao meus “porquês”, ou ao mal, o sofrimento e a morte, e eventualmente posso até me assustar com estas coisas, mas quando me lembro de que os “céus dominam” (Dn 4.26), e que até mesmo o mal contra mim será usado para o meu bem, então posso me regozijar (Gn 50.20).

Jó não mais contempla o caos, mas contempla a Deus. Ele não via o sofrimento como mero sofrimento, mas os interpretava à luz da soberania de Deus. Os eventos tão dramáticos e doloridos, a potência do mal que o atingiu em cheio, o estrago do Leviatã, a maldade humana, a força do mal, tornam-se agora minimizados diante da autoridade inquestionável de Deus.

Em Jó 38, Deus começa uma série quase infindável de perguntas a Jó, que até então o havia colocado no banco dos réus. A cada pergunta de Deus, Jó é levado a refletir nos mistérios insondáveis da sua soberania e poder.

Assim se dá conosco:

Quando olhamos para nosso coração confuso e amedrontado, nossa tendência é o desespero; quando olhamos para o mal ao redor, sentimos medo e nos tornamos cínicos, mas quando contemplamos a Deus, seu poder e autoridade, podemos ficar seguro. Afinal, nada do que nos acontece é resultado dos horóscopos, das estrelas ou do acaso, mas de Deus.

Não precisamos temer o Leviatã que nos ronda, nem as forças do mal que conspiram. Se algo acontecer, sabemos, ainda que não entendamos nem sejamos capazes de equacionar, que é Deus quem abri regos para o aguaceiro (Jó 38.25); que gera as gotas do orvalho (Jó 38.28); Quem sabe as ordenanças do céu (Gn 38.33); quem pôs sabedoria nas camadas das nuvens (Jó 38.36); e quem prepara aos pássaros o seu alimento (Jó 38.41). E nenhum dos seus planos pode ser frustrado.

Posso saber ainda que “O meu Deus, segundo a sua riqueza e glória, há de suprir em Cristo Jesus, cada uma das minhas necessidades” (Fp 4.19); que ele me escolheu, em Cristo Jesus, antes da fundação do mundo, para viver de forma santa e irrepreensível perante ele, e em amor me predestinou para a adoção de filho, que por meio de Jesus, segundo a sua bondosa vontade, me deu a redenção pelo sangue do seu filho e a remissão dos pecados, segundo a riqueza de sua graça.

Aleluia!!!

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