segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Hb 2.1-4 Tão grande salvação

Introdução:
O Livro de Hebreus, é um dos melhores livros para nos ajudar a entender o antigo Testamento, com todas suas simbologias, sacrifícios, abluções. Ele nos fala dos livros do AT como tipos (Hb 10.1) e figuras de coisas mais relevantes que se manifestariam com a vinda de Cristo. Um bom livro para nos ajudar a entender este livro foi lançado pela Casa de Cultura Cristã, São Paulo: “Como Estudar Levitico e Hebreus”, de autoria de Turnbull.
No texto que lemos, o autor aos hebreus nos fala de uma grande salvação. E diz que não devemos viver fora desta perspectiva.
Por que podemos dizer que esta é uma grande salvação?

1. Por causa daqueles que a testemunharam –
 Ela foi promulgada por anjos – “Se, pois, se tornou firme a palavra promulgada por meio de anjos” (Hb 2.2). De acordo com algumas tradições judaicas, apoiadas em parte pela versão grega (LXX) de Dt 33.2, Deus tinha dado a Lei por mediação de anjos. Esta idéia é defendida por Estevão quando está passando pelo martírio (At 7.53), e é confirmada por Paulo (Gl 3.19).
 Ela foi anunciada por Jesus – “tendo sido inicialmente anunciada pelo Senhor” (Hb 2.3). Jesus foi o primeiro pregador desta verdade, apontando para a necessidade de sua morte expiatória. Na verdade anunciamos a mensagem que Jesus proclamou. “É necessário que o filho do homem seja morto”. A mensagem que pregamos procede do próprio Senhor Jesus.
 Esta palavra foi anunciada pelos apóstolos – “Tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor; foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram” (Hb 2.3). A expressão “foi confirmada” nos mostra que esta palavra procede também de homens dignos de confiança, que se surpreenderam também com esta mensagem.
 Esta palavra foi confirmada por sinais e prodígios – “Dando Deus juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuição do Espírito Santo” (Hb 2.4). Sinais são provas, demonstrações da intervenção divina. “maravilhas e prodígios”, são coisas que Deus faz que geram temor nos nossos corações. Experiências pessoas que nos levam a temer a Deus. Os sinais manifestam a intenção de Deus, as maravilhas, seu caráter e os milagres, sua origem. Calvino afirma: “Os sinais despertam a mente dos homens a pensar em algo mais elevado que o visível; maravilhas nos revelam o que é raro e excepcional, e milagres, porque o senhor manifesta neles uma extraordinária e singular evidência de seu poder”. (Calvino, Hebreus, pg. 51).

2. Pela profundidade de suas implicações:
A. A obra de Cristo nos livra das mãos de Satanás – O apóstolo João afirma: “sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus, Deus o guarda, e o maligno não lhe toca” (1 Jo 5.18). Quando nascemos para Deus, nos tornamos propriedade dele. Isto é o significado da palavra “redenção”. Jesus pagou o nosso resgate, e nos livrou da mão do diabo. Somos guardados em Cristo Jesus. Satanás faz pode insinuar, lançar dardos, questionar, mas ele não pode tocar em você, porque você está protegido pelo sangue de Cristo. “Como escaparemos se negligenciarmos tão grande salvação”.
B. A obra de Cristo nos livra do pecado - Nos torna puros e justificados diante de Deus. A obra de Cristo é completa e eficaz, não havendo nada mais a ser feito pelo homem. Esta obra atinge todo nosso ser. Nos purifica de todo pecado, limpa-nos da má consciência (Hb 9.14). Aquela cruz tem um efeito significativo na nossa alma. Muitas vezes fico preocupado com pessoas que querem seguir a Jesus mas ainda não entenderam o significado do sacrifício de Cristo por eles. O sangue de Jesus apaga todas as nossas transgressões, nos purifica no nível mais profundo de nosso ser (Hb 10.16-17).
Pecado nas escrituras não é apenas uma disfuncionalidade psicológica, mas é rebeldia contra Deus. Jesus precisava morrer por causa da profundidade dos efeitos do pecado em nossa vida. Fomos inoculados pela ação do diabo. Não somos pecador porque pecamos, mas pecamos porque somos pecador. Todo nosso ser foi contaminado pelo pecado, mesmo quando fazemos as coisas melhores, ainda o fazemos para promoção do nosso eu, para auto glorificação, auto exaltação, para promoção de nossa carne. Exaltação do Eu. A Obra de Jesus nos livrou dos efeitos da carne: “O pecado não terá domínio sobre vós”.


3. A obra de Cristo nos livra da Condenação Eterna – Ou como afirma Calvino no seu comentário aos Hebreus: “pelos seus resultados intermináveis”. Estamos lidando com coisas que não são temporárias, mas eternas, com conseqüências não temporais. “Como escaparemos se negligenciarmos tão grande salvação?”.

4. É grande pela sua procedência “Deus amou” vem do senhor. Não nasceu na cabeça de alguém, nem de alguma instituição. Ele nos amou quando éramos ainda pecadores. “Nós amamos porque ele nos amou primeiro”. Tudo provem de Deus (2 Co 5.19). Ele é o autor e consumador de nossa fé.

5. Grande pela sua amplitude – “ o mundo”. Esta salvação só esbarra no limite da recusa do pecado em aceitá-la. “Todo o que crer, será salvo”. “Todo o que invocar o nome do Senhor será salvo”.

6. Grande pelo seu preço – custou muito para Deus. Deu o seu filho. 1 Pe 1.18 “não por prata ou ouro, mas pelo sangue precioso do Cordeiro, sem mácula”. Bonhoeffer afirma: “Não considere barato a graça de Deus, que custou tão caro, a ponto dele entregar seu próprio filho”. Ele pagou o preço. “Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele, fossemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5.21).

7. Grande pela sua facilidade – “não de obras”. Não tem que cumprir promessas, basta crer de todo coração. Não é meritocracia, nem esforço humano, mas doação de Deus. “Deus amou seu filho e nos deu”.

Conclusão:
1. Somos exortados a nos apegar com firmeza, a esta verdade ouvida – 2.1 Por causa de nossa negligência, podemos ser dúbios e superficiais em nosso compromisso com o Senhor e com o Evangelho (Hb 3.7,12). “Deus quer que valorizemos verdadeiramente seus dons de acordo com sua importância. Então, quanto mais valiosos são, mais vil será nossa ingratidão se não os apreciarmos” (Calvino). A palavra negligenciarmos vem, no grego, significa “não se importar”, “desconsiderar”. Esta atitude é ilustrada na parábola do casamento, contada por Jesus em Mt 22.1ss, falando daqueles que foram convidados para a festa de casamento, mas que desprezaram o convite.

2. Somos advertidos para o perigo de negligenciarmos esta grande salvação – (Hb 2.3). “Como escaparemos”, isto é, da penalidade,do juízo decretado. Nada há nada mais perigoso que uma vida de negligência. Por isto importa que nos apeguemos. Esta palavra prosecho, significa, “voltar a mente para”, “dar ouvidos a”. A palavra para negligencia é amalesentos”, e significa não se importar. Negligenciar é diferente de rejeitar. A rejeição é para o não cristão, mas rejeição é algo que o cristão pode fazer.
Muitos anos atrás, durante a primeira guerra mundial, um iate encalhou à beira do precipício no Niagara Falls, em Buffalo, na divisa dos Estados Unidos com o Canadá. O dono deste iate era um milionário patriota que permitiu que o governo o usasse durante a guerra. Terminada a guerra, o iate lhe foi devolvido e ele e um grupo de amigos velejavam perto das cataratas, e pararam para saltar em terra, o empregado amarrou o barco às pressas e sem segurança e a força da correnteza o arrastou. Durante muito tempo nenhuma máquina conseguiu tirá-lo de lá. Quem registrou este fato afirmou que “se alguém estivesse a bordo dormindo, jamais poderia ter sido resgatado”. Este é o perigo que pode sobrevir aos que negligenciam tão grande salvação. O desvio é sinal de morte, a negligência é trágica para nossas almas.

Como escaparemos?
Precisamos prestar atenção.
Jesus afirmou: Jo 10.9: ‘Eu sou a porta”. Ficar muito perto da porta não é suficiente. Se você está a 5 cm ou a 5 km, está na mesma situação. Tem que passar por ela.


pregado na Igreja Central de Anapolis
Setembro, 25, 2011
Culto Vespertino

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